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Doze Tribos - Artigos

Fogo na Montanha


Um forte e árido vento soprava através do terreno abrasado pelo sol, varrendo a fina areia em redemoinhos, atormentando os olhos cansados e a garganta seca de Natan. Seus pés descalços esmigalhavam ruidosamente pedrinhas quentes afiadas enquanto ele vagava no meio da barulhenta multidão, com suas costas e peitos nus, brilhando com o suor.

Seus pensamentos corriam com lembranças dos tantos encontros anteriores quando ele tinha viajado para grandes e altos lugares com multidões de outros seguidores a fim de se perder em orgia e excitamento sensual. O culto a Baal e Asherá tinha capturado a imaginação de muitos jovens que ansiavam encontrar algo que preenchesse mais do que só trabalhar para viver, e Natan era um desses que tinha se entregado inteiramente ao descuidado e freqüentemente libertino estilo de vida de um devoto.

Isto era uma coisa que seus pais tinham resistido a princípio, apelando para que ele não abandonasse os rígidos princípios de trabalho duro e moralidade que constituíam o entendimento deles sobre Deus. Mas Natan não queria nada com uma religião tão impessoal como aquela na qual ele tinha crescido. Finalmente ele tinha prevalecido sobre seus pais, usando o poderoso argumento, "Todos estão fazendo isto."

E era praticamente a verdade. Quase sem exceção, o país inteiro tinha aceitado a adoração a Baal como parte de sua cultura. Havia arvoredos sagrados e lugares altos por toda parte, e até líderes políticos apoiavam as celebrações voluptuosas por sua música pulsante e perdição moral. E embora Natan freqüentemente tivesse que engolir com dificuldade o doloroso vazio de uma má consciência, ele tinha se unido numa corrente social tão poderosa que ele sempre podia superficialmente justificar seus feitos.

Enquanto Natan perambulava através da multidão, ele tentava avistar alguns dos sacerdotes de Baal e Asherá. Suas emoções juvenis inchavam-se com sentimentos de lealdade, devoção e até amor em direção a estes homens. De uma maneira um pouco confusa, eles eram seus amigos e heróis. Apesar dele não conhecer nenhum deles pessoalmente, ele os via como responsáveis pelos prazeres que ele experimentava nestes encontros.

Este evento, em particular, entretanto, ia ser diferente. Tomando um gole da garrafa de couro pendurada em seu ombro, Natan sorveu o líquido morno em sua boca ressecada e considerou o que o dia aguardava para ele.

O país tinha por três anos sido assolado por uma seca, a qual era atribuída por rumores a uma maldição de Elias, o profeta de YHWH. Este homem tinha sido um dos poucos que havia mantido tenazmente a antiga religião dos hebreus e que não tinha se adaptado às crenças populares atuais. Foi ele que tinha exigido um encontro com os profetas de Baal e Asherá, ali no monte Carmelo, na presença de todo Israel. Natan sentia que de alguma maneira, haveria um tipo de confronto, mas ele não tinha idéia nenhuma da forma que seria. Sua esperança era que, qualquer coisa que ocorresse traria um fim à grande seca, enquanto providenciaria para ele um pouco de prazer.

O soar forte de um berrante tirou Natan de seus pensamentos, e ele seguiu o fluxo da multidão ao lugar onde eles tinham sido intimados. Lá em uma grande pedra estava um homem enrolado numa rústica e poeirenta capa de pêlo de camelo, com seus cabelos e barba grisalhos, brilhando a luz do sol. Enquanto Natan se aproximava, o homem levantou sua voz:

"Até quando vocês vacilarão entre duas opiniões? Se YHWH YHWH translitera quatro letras hebraicas que expressam o nome sagrado de Deus. É pronunciado "Ia-ué", porém somente em orações sagradas e cultos de adoração. é Deus, sigam-no, mas se Baal é Deus, sigam-no!"

Este, então, era Elias. Natan se esforçou para ver a face do homem. Ele esperava um fanático de olhos selvagens, ou um velho religioso fossilizado; mas o que ele viu surpreendeu-o. Aqui estava um homem cuja fisionomia portava as marcas de ambos o sofrimento e alegria, um homem de paixão e dignidade. Algo profundo dentro de Natan agitou-se enquanto ele ouvia as palavras do homem.

"Eu sou o único profeta de YHWH que resta, mas Baal tem quatrocentos e cinqüenta. Peguem dois touros para nós. Deixem escolher um para eles, cortá-lo em pedaços e colocá-lo na madeira, mas que não ateiem fogo nele. Eu prepararei o outro touro e o porei sobre a madeira, e não atearei fogo nele." Elias se voltou em direção à orla da multidão, e Natan, seguindo seu olhar, viu os profetas de Baal agrupados lá em seus trajes espalhafatosos. Elias gritou para eles, "Chamem pelo nome de seu Deus, e eu chamarei pelo nome de YHWH. O Deus que responder com fogo - Este é Deus!"

A multidão aprovou em coro e Natan se encontrou gritando em aprovação. Este seria o show mais espetacular que ele já tinha visto. Imediatamente os profetas de Baal começaram a cantar em tom monótono, uma rítmica e hipnótica melodia completada por centenas de vozes masculinas meio cantando, meio gemendo, enquanto eles balançavam e balançavam de lado a lado, levantando suas mãos e sacudindo seus corpos de uma maneira com a qual Natan estava familiar. A música deles era a mesma que ele tinha ouvido incontáveis vezes antes, mas ele nunca tinha escutado todos cantando juntos. Sua total intensidade e poderosa energia eram irresistíveis. Natan se encontrou sacudindo e cantando com eles.

Numa espécie de torpor, Natan assistia o evento enquanto os profetas dilaceravam o touro e cortavam-no. Então ele seguiu com a multidão e os profetas fizeram uma grande procissão para o polido altar de pedra de um lado da clareira. Subindo os degraus de pedra eles enfileiravam-se levando a carcaça do touro dilacerado, e com grande solenidade a puseram no altar.

Previsivelmente, a música mudou as batidas do tambor aceleraram seu ritmo e com um grande grito todos os profetas caíram numa dança selvagem, seus trajes coloridos oscilavam enquanto eles saltavam e giravam com as batidas. Um deles levantou sua voz numa espécie de gemido musical:

"Ó Baal, ouça-nos!" e o resto ecoou em coro: "Ó Baal, responda-nos!" Tudo era familiar para Natan, e ele sentiu sua alma fervendo com emoções indescritíveis novamente.

Mas hoje, Natan estava começando a sentir-se desconfortável com o cenário familiar. Foi neste estado que ele vagou até bem depois do meio-dia, quando a voz de Elias chamou sua atenção. O idoso profeta estava zombando dos adoradores de Baal, porque o deus deles não tinha posto fogo para consumir seu sacrifício.

"Gritem mais alto!" ele bradava, "Certamente ele é um deus! Talvez ele só esteja em pensamentos profundos. Chamem mais alto e com certeza conseguirão sua atenção!"

Algumas pessoas na multidão começaram a sorrir; mas quando Elias gritou: "Talvez ele tenha ido viajar!" muitos caíram na risada. Até Natan, tão perturbado como estava, conseguiu sorrir. E quando Elias clamou: "Não, ele provavelmente está só dormindo e precisa ser acordado." A multidão riu às gargalhadas - todos, isto é, exceto os profetas de Baal, que fitaram os olhares em Elias com odioso silêncio.

Repentinamente, um dos profetas líderes rompeu o ar com um grito e golpeou-se no braço com uma grande faca sacrificial. Segundos mais tarde, os outros brandiram punhais e começaram mutilar-se a golpes gritando: "Ó Baal, responda-nos!" A multidão cessou sua gargalhada e caiu novamente sob o encanto dos profetas de Baal. Mas Natan começou a perceber o que estava perturbando-o tanto. Dúvida estava formando-se nele. Ele estava começando a pensar que os últimos poucos anos de sua vida tinham sido gastos em uma ilusão, e a voz de sua consciência, há muito tempo silenciada, agitava-se com pensamentos ansiosos sobre seu próprio egoísmo. E se Baal não fosse um deus real? Que espécie de julgamento ele iria encarar pelas incontáveis vezes que ele levantou sua alma para deuses falsos?

Eram muitos os pensamentos que ele ponderava enquanto a tarde gastava-se e os profetas de Baal esgotavam-se. Quando veio o entardecer, Elias novamente clamou, intimando o povo para o lado oposto da clareira. Os profetas de Baal caíam exaustos aqui e ali, incapazes de evocar uma resposta de seu deus. Elias, por outro lado, estava silenciosamente fazendo um altar de pedras rudes, pondo lenha nele, matando um touro e colocando-o na madeira. Não havia cantiga ou cerimônia para acompanhar seu sacrifício, mas ele fez algo que ganhou a atenção de todos. Antes de terminar, ele cavou uma valeta ao redor do altar e encharcou o touro, madeira, altar e tudo com doze grandes jarros de preciosa água, até tudo brilhar e pingar, e a valeta ficar cheia até a borda.

Então ele ficou no meio da multidão e olhando para o céu sem nuvens, levantou suas mãos numa oração.

"Ó YHWH, Deus de Abraão, Isaque e Jacó, hoje deixe ser conhecido que o Senhor é Deus em Israel e que eu sou seu servo e que eu faço todas essas coisas ao seu comando. Responda-me, para que este povo possa saber que você, Ó YHWH, é Deus."

A oração de Elias parecia fácil demais e não muito impressionante em contraste com todo o tumulto e fúria dos profetas de Baal. Tudo estava quieto, exceto pelo som da água pingando do altar para o chão. Então o céu se rompeu com o rugido de um trovão enquanto uma grande coluna de fogo, clara como o sol, desceu do céu engolindo o altar inteiro em chamas.

Por um momento chocante e singular, Natan parou atordoado, protegendo sua face da claridade. Então seus joelhos se dobraram e ele caiu sobre sua face em temor. A multidão toda levantou suas vozes e um grito singular saiu deles todos: "YHWH! Ele é Deus!"

Tudo veio junto para Natan naquele paralisante momento. Ele foi enganado. Toda a música e o excitamento sensual que os adoradores de Baal tinham providenciado era meramente uma falsificação. Era só uma distração para cobrir o fato que o baalismo era tão vazio quanto os rígidos princípios que os pais de Natan tentavam segurar. A religião que eles tentavam passar para ele era isento de coração e alma - nada mais que uma lista sem vida de deveres e proibições que nunca poderiam captar sua devoção, mas o excitamento do culto de Baal com seus muitos prazeres, tinham lhe dado somente sentimentos de amor e devoção, sem ninguém real para ser amado ou devotado. E era pior que isso. Natan estava mais que enganado. Enquanto ele permanecia caído aos prantos na poeira, ele percebeu que era na verdade mal para ele suprimir a voz de sua consciência e participar de novo e de novo da adoração imunda que acompanhava os acolhimentos nos lugares altos. Não importava quanto ele tentava se convencer de que eram celebrações de amor e liberdade, ele sempre soube que tudo isso não passava de gratificação própria. Ele levantou o rosto manchado de lágrimas da terra e fixou seu olhar em direção ao altar de Elias. Ele esperava ver o sacrifício queimando lá, mas em vez disto ele viu somente uma mancha de terra abrasada. O fogo de YHWH consumiu o sacrifício, a lenha, toda a água na valeta, e até mesmo as pedras do próprio altar!

Um arrepio subiu pela coluna de Natan. Que Deus era este, que era capaz de devorar até mesmo as pedras do altar? O que segurava este ser tão espantoso de enviar Seu fogo para destruir o próprio Natan? Que tipo de sacrifício poderia Natan oferecer para compensar pelos seus muitos pecados? Porque é que Natan e todos os outros não foram incinerados pelo fogo do Deus poderoso? Seria possível que Ele ainda se importava com pessoas como eles?

NOSSO MESTRE YAHSHUA disse certa vez:

Eu vim para lançar fogo na terra; e como gostaria que já estivesse aceso! (Lucas 12:49)

Ele não falava de um mero fogo físico, nem mesmo um fogo capaz de evaporar pedras. Ele falava da própria essência de Deus mesmo. Deus, que é amor, é um fogo consumidor. Quando o Espírito dEle habita no coração, Ele compele aquela pessoa a fazer atos de pura abnegação. É este o fogo que o nosso Mestre desejava ver aceso. Este foi o propósito da vida dEle neste mundo. Foi também a razão pela qual Ele morreu e foi ressuscitado dos mortos. Ele queria ver essência divina habitando em seres humanos, uma nação inteira de pessoas inteiramente devotadas a amar como Ele amou.

A história da humanidade é muito parecida com a de Natan. Quase sem exceção, os seres humanos estão longe do coração de Deus. Muitos chegam a tentar ser decentes, mas muito dos seus esforços são frios e sem paixão. Aqueles que mostram paixão freqüentemente são também aqueles que acabam escravos de suas próprias paixões e luxúrias. No meio de seu desejo de experimentar algo real, eles levantam suas almas a todo tipo de excitamento sensual imaginável, às vezes até fingindo que os sentimentos e prazeres que experimentam indicam que eles estão em contato com Deus.

Mas Deus é amor, e amor se expressa através de obras com paixão, de preocupação por outros. Se este amor não está presente, Deus também não está. Faz tempo que Ele sumiu das alas e salões de religião institucionalizada com suas tentativas mórbidas de preservar valores tradicionais através de obediência rotineira. E mais, Ele nunca apareceu em nenhuma reunião ou acolhimento onde egos humanos ou sentimentos sensuais são o centro da atenção.

Para aqueles que buscam, a mensagem da história de Natan é clara. Você não pode confiar em nenhum homem ou deus que não entrega o fogo! Se você está buscando amor, você está buscando Deus. Se você está buscando Deus, você está buscando amor. Deus é amor. Mas onde está Deus?

Sabemos que Deus pode ser visto através de toda a criação, mas Deus só pode ser encontrado onde irmãos e irmãs vivem juntos em unidade. Isto exige muito perdão, só pode ser encontrado em Yahshua. Yahshua é o nome hebraico do Filho de Deus. Foi este nome que Miriam (Maria), a mãe dEle, chamou-o quando Ele nasceu, assim como está escrito em Lucas 1:31 na Bíblia. Na língua original, o nome Yahshua significa "Deus é poderoso para salvar, já que é construído do nome Yah, o nome do Pai (como na palavra aleluia (alelu-yah), que significa "louvem a Yah") e a palavra shua, que significa "poderoso para salvar." Nós chamamos o filho de Deus pelo nome Yahshua porque é este o nome pelo qual foi chamado durante sua vida inteira aqui na terra. Nem uma vez Ele foi chamado pelo nome Jesus. Se alguém tivesse chamado-o por este nome, Ele não teria respondido, pois Ele era um hebreu e não um grego. Simplesmente não era o nome dEle. Provavelmente esta vida de amor já teria enchido a terra toda, se ela fosse fácil de conseguir. Porém, quem são aqueles que conseguem ver o tesouro? Quem são aqueles que pagariam o preço de se renderem totalmente a Yahshua, fazendo dEle sua autoridade mais alta, até mesmo mais alta do que si mesmo? Somente aqueles que amam a verdade.

Deus habita onde irmãos vivem juntos em Unidade. Lá o fogo do amor dEle um dia queimará com bastante calor para ser uma luz para o mundo inteiro. Venha ser um de nós.

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